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Pedagogia da Imaginação

  "O tema da educação está presente na obra bachelardiana através da noção de formação, termo constante em todos os seus textos. Acreditamos que educação para Bachelard implica fundamentalmente na…Continuar

Tags: imaginação, -, imaginário

Iniciado por Cristiane Gonçalves 14 Maio, 2010.

SALA DE LEITURA

 

"É preciso criar inteligibilidade sem destruir a diversidade. Com o conceito de 'direitos humanos' faço uma tradução intercultural entre este conceito - que é de fato um conceito ocidental -, o conceito de umma do Islã e o conceito de dharma no hinduísmo: são três conceitos distintos para falar da dignidade humana.

Todos têm problemas, todos são incompletos, mas é preciso fazer a tradução entre eles, examinar sua relatividade, sua incompletude.

Em nossa cultura falamos de direitos humanos mas não de deveres humanos. Por isso em nossa cultura de direitos humanos a natureza não tem direitos: porque tampouco tem deveres."  

Boaventura Sousa Santos, leitura obrigatória para os educadores que acreditam em uma proposta crítica e multicultural para a educação.


Jim é uma gaivota. Jack é um melro. Jim vive perto do mar. Jack mora no bosque. Jack adora ler. Jim usa folhas de livros para acender a lareira. Jack é negro. Jim é branco. Apesar de tantas diferenças, os dois pássaros têm algo em comum: gostam de estar juntos. E, mesmo que outras aves torçam o bico para isso, eles não perdem uma pena de preocupação. Afinal, por que é tão difícil aceitar a amizade deles?
Quando Jack chega à vila do amigo, não sente um ambiente cordial. Isso porque os moradores nunca tinham visto um pássaro todo preto. Pacientes, ao invés de desafiarem a opinião da maioria, o melro e a gaivota seguem suas vidas mesmo sob os olhares de reprovação. Até que algumas gaivotas percebem que Jack pode ensiná-las muitas coisas interessantes, como o prazer das histórias contidas nos livros.
Meu amigo Jim é o primeiro livro da consagrada autora Kitty Crowther lançado no Brasil. Por meio de uma história leve, em tons pastéis, trata com naturalidade e sensibilidade um tema já bastante abordado no cotidiano:a homossexualidade. De maneira inteligente e cuidadosa, a autora abraça ainda outras questões importantes, como o preconceito racial e o hábito da leitura.

 

 

 

 
"A expressão reta não sonha. Não use o traço acostumado.
A força de um artista vem das suas derrotas.
Só a alma atormentada pode tazer para a voz um formato de pássaro.
Arte não tem pensa:
O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê.
É preciso transver o mundo.
Isto seja:
Deus deu a forma. Os artistas desformam.
É preciso desformar o mundo:
Tirar da natureza as naturalidades.
Fazer cavalo verde, por exemplo."
Manoel de Barros



Este poema reflete a minha percepção de que nós, educadores, precisamos transgredir e tornar a nossa sala de aula, o nosso universo de ação pedagógica, em um espaço dinâmico, de permanente reinvenção dos caminhos para que possamos construir uma educação com maior includência de vida, maior solidariedade, que se desdobre em uma comunicação mais espontânea e verdadeira no cotidiano escolar, permitindo a ampliação do olhar de nosso aluno e de nós mesmos diante da eterna novidade que o mundo nos propõe.
Acredito em uma educação que objetiva o cultivo da alma, da sensibilidade que nos aproxima de nosso ser e amplia o nosso vir a ser, diante da honestidade entre educadores e educandos quando da manifestação e respeito pela identidade que construímos em nosso caminhar.
Jean Jaurès quando afirma que "não se ensina o que se sabe, só se ensina o que se é. Portanto, só se aprende com o que se é, na profundidade da máscara que nos torna pessoas" nos remete à grande lição de Carl Jung para a educação - a responsabilidade do educador está menos no método que utiliza do que na personalidade, postura e identidade que ele revela para os educandos - é essa transparência que exige a simplicidade e generosidade de se aproximar dos alunos de alma aberta. Se assim o fizer, o professor estimula seus alunos ao reconhecimento de sua alma, um encontro com a sua sensibilidade, revelando assim as possibilidades de uma cidadania plena, fielmente estabelecida em sua identidade única.
Trazer a arte para o cotidiano escolar não se resume às aulas de educação artística ou visitas a exposições de arte, vai mais além, educar com arte exige maestria de entender que o caminho para a sensibilização de nossas vivências se faz com poesia, com uma bela escultura ou um quadro de Chagall, mas também se faz no gesto verdadeiro de criar conjuntamente com os alunos a sua própria arte de viver. Arte essa que nos permite enfrentar os desafios da indisciplina por exemplo, cultivando o cuidado que parte do princípio do respeito, tolerância e compaixão.

Cristiane Gonçalves

Joan Miró (1977)
“Felizes aqueles que sabem cultivar as margens das
nossas escolas: elas são as terras frutuosas de descoberta dos saberes de amanhã.”
Gilbert Durand


A humanidade historicamente é marcada pela diversidade cultural. Tal diversidade nos remete a desafios para a compreensão destas e respeito a elas. É fundamental desenvolver ações que se desdobrem em políticas públicas que estabeleçam metas que não fiquem restritas à tolerância, mas sim volte-se ao respeito aos valores culturais e aos indivíduos de diferentes grupos, do reconhecimento desses valores e de uma convivência harmoniosa.

A escola, cumprindo sua responsabilidade de formar cidadãos e cidadãs, deve promover práticas pedagógicas que enriqueçam, no cotidiano escolar, a vivência da diversidade, promovendo o diálogo entre as diferenças, a fim de evitar a proliferação de atitudes de preconceito e violência, explícita ou não, reforçando, assim, práticas excludentes.

Acredito que a proposta multicultural, ao fundamentar ações pedagógicas, promove uma política de solidariedade entre educadores comprometidos, sobretudo, com a questão ética de solidariedade com aqueles que, em sua identidade, são oprimidos.

Cristiane Gonçalves

Mensagens de blog

Educação Neo-humanista

Olá jardineiros e visitantes...

Nesse 'imenso mar' de ideias que nos circunda, às vezes encontramos surpreendentes pérolas, às vezes a surpresa é maior por ver em algumas dessas idéias estão em conformidade com algo que já pensávamos ou fazíamos... Vale compartilhar, renomear e seja lá o que for desde que os princípios da paz, da harmonia, do respeito em todos os sentidos, a todos os seres, estejam garantidos. Nesse…

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Postado por Raquel Matos Carvalho em 25 novembro 2011 às 23:46 — 1 Comentário

BEBENDO na ARTE PROJETO De ARTE-EDUCAÇÂO Para a SAÚDE

INTRODUÇÃO.

                                                   Todas as civilizações – por mais isoladas umas das outras, no tempo e no espaço – acabam descobrindo três coisas: a poesia, a bebida (grifo nosso), a religião.                                                                             

                                                                                                                                           Mário…

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Postado por José Airton Bezerra Lima em 14 novembro 2011 às 6:32

Sementes do Amanhã

               "Fica decretado que agora vale a verdade, 



               que agora vale a vida 



               e que de mãos dadas 



               trabalharemos todos pela…

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Postado por Cristiane Gonçalves em 2 novembro 2011 às 15:33

Filosofia e Modernidade: racionalidade, imaginação e ética - José Américo Pessanha (Resenha crítica)

        Professor do Departamento de Filosofia da UFRJ, José Américo Pessanha, apresenta neste texto a crítica a racionalidade matemática, argumentando que o mundo ao ser explicado na lógica pitagórica e/ou cartesiana, criativamente demonstrada pelo personagem de Ofélia, criada pela escritora Clarice Lispector, no seu conto Legião Estrangeira, não contempla o múltiplo, o plural e o inesperado. Confrontando com o portanto-portanto-portanto que nos leva a conclusões irretorquíveis, …

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Postado por Cristiane Gonçalves em 15 outubro 2011 às 15:00

 
 
 

Cine Educação

TransAmerica - em primeiro lugar a magnifíca interpretação da atriz Felicity Huffman (Desperate Housewives). Ela tem que interpretar um homem que quer mudar o seu sexo   (incrível que durante o filme parece que realmente é um homem querendo se tornar mulher, ela nos convence disto). Aplausos de pé!!!

Para muitos que desconsideram a causa dos transexuais e percebem apenas como um capricho, algo que depõe contra as leis da natureza e uma violência contra o corpo; este filme com muita leveza e sensibilidade desafia esta percepção.

Um belo filme, pela humanidade que salta da tela, e a conclusão: cada ser humano deve ter PLENO direito à expressão de sua identidade.

 

A Culpa é do Fidel - uma graça!!! A atriz mirim dá um show na expressão do olhar. Este olhar que durante o filme vai mostrar o desafio de ter que se adaptar a um mundo em constante transformação e que nos dá sim a opção de ficarmos presos as fórmulas pré-estabelecidas, de um mundo supostamente ordenado. Ordem que nos remete a segurança, mas sem dúvida limita as possibilidades de reinvenção da realidade que nos cerca, e a direção na cena final, nos brinda com simplicidade e maestria, e nos leva a sensação de que a ficha caiu. Um primor!!!

Just food for thought

No livro Mundos Invisíveis, conto como homens e mulheres tentaram – e continuam tentando – responder à primeira pergunta científica:

do que é feito o mundo? Como veremos, foi Tales que se  fez essa pergunta em torno de 650 a.C, na Grécia Antiga. Desde então, essa pergunta atravessou o mundo e a imaginação de milhões de pessoas. Os alquimistas tentaram desvendar os mistérios da matéria e do espírito através do fogo e do seu efeito sobre as substâncias; químicos revelaram que tudo o que existe no universo é feito de menos de cem elementos, do hidrogênio ao ferro e ao plutônio; físicos mostraram que os átomos têm propriedades estranhas e que não são indivisíveis, sendo compostos por partículas ainda menores. A cada avanço tecnológico, do microscópio aos aceleradores de partículas da física moderna, damos mais um passo em direção ao coração da matéria. E o que descobrimos nesse percurso mudou a história da humanidade: da energia nuclear que cria bombas destruidoras e terapias de combate ao câncer à digitalização da sociedade moderna, grande parte de nossa vida depende do nosso conhecimento da matéria e das suas propriedades. Somos feitos de mundos invisíveis.

Marcelo Gleiser

 

 


"Para Fritjof Capra, fundador do Centro de Eco-Alfabetização de Berkeley, na Califórnia, e professor do Schumacher College, um centro de estudos ecológico na Inglaterra, a crise dos intelectuais - assunto da matéria publicada no Washington Post - existe porque a ciência, e suas disciplinas, mantiveram ao longo de anos e anos a percepção estreita da realidade, enxergando-a de maneira segmentada, cada disciplina a seu modo. Acontece que problemas como fome e miséria, destruição do meio ambiente e pobreza, todos eles descritos com afinco em "O Ponto de Mutação", são sistêmicos: um é conseqüência de outro, que puxa outro, e assim sucessivamente. Eis a questão. Tal abordagem da ciência, diz Capra, não resolverá uma só das nossas dificuldades, mas sim "limitar-se-á a transferi-las de um lugar para o outro na complexa rede de relações sociais e ecológicas". Para ele, só passaremos adiante do "ponto de mutação" se enxergarmos o presente na sua totalidade e interdependência, tal qual o movimento da natureza."

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